domingo, 26 de abril de 2015

ESFINGE

Manhãs de Sol na cidade dos sonhos. Desejos que se renovam a cada noite. Tempos que não voltam mais. Brilhos, tecidos e âmbar. Retalhos de melhores dias desfiados na memória. O sintético e a pele no diálogo do belo. Mistura de estilos. Épocas em papéis e recortes. Lembranças ao longe. Distâncias perto do olhos. Pedras e preciosidades. Passam vidas e vindas. Desfile de emoções. Sinfonias e poemas deslizando pelo corpo. Simplicidade em evidência. Pessoas e coisas não duram muito. Marcam presença e fogem em carruagens. Estórias são recontadas. Roupas são descartadas, mas o brilho permanece. Espíritos e luzes dialogam. Olhares são pássaros e a cegueira é uma opção. Observe bem longe. Estilos não somem nunca. São cicatrizes tatuadas no olhar.

Gurgel de Oliveira

Iris Apfel. Foto Internet.
É SÒ ISSO.

Jamaicas bordadas nos tecidos caribenhos. Retratos de deuses no limiar dos acordes. Américas recontadas com pigmentos e afetos. Saudades recortadas e coladas nos tapumes do tempo. Ruas sem nome a procura de casas e esquinas. A arte do Dragão sugere poesia e fragmentos de olhares. Atenção e mergulhos nas aquarelas da alma. Galerias inabitadas nos túneis em branco e preto. A revelação do artista é imediata. Ultrapassa os limites do racional e mergulha no universo desprovido de limitações e lugares comuns. Um passeio pelo inimaginável e desconhecido. Como uma ânfora de vinho, de dois mil anos, encontrada no mar de Alexandria. Feliz de quem o degustou. A arte ultrapassa sabores. Vasculha dores e sugere amores.

Gurgel de Oliveira

acrílico sobre tela ou pastel sobre papel? Não importa. O fogo do Dragão responde através da imagem.
Pintura de André Dragão.
AMÉRICAS. OS ESPÍRITOS DA TERRA.


CANÇÕES PRÉ-COLOMBIANAS. MONTANHAS QUE GUARDAM O SAGRADO E PENHASCOS DOS SACRIFÍCIOS. CONTINENTE E NAÇÕES NA LINHA DO AÇOITE. RITUAIS DE FOGO EVOCANDO DEUSES E VULCÕES QUE DORMIAM PARA SEMPRE. ECOS DE CIVILIZAÇÕES TRAZIDAS AO VENTO PELAS FORMAS OLMECAS. ESCULTURAS DE PELES. PIRÂMIDES E MINARETES DE TEXTURAS ÍMPARES E SECULARES. CORPOS INDÍGENAS DOMESTICADOS. ROSTOS ASTECAS EM TERRAS MEXICANAS E FESTIVAIS DE CARNES NA NICARÁGUA. CALDEIRÃO DE CULTURAS E BANDEIRAS. CACHOEIRA DE LÁGRIMAS PELOS QUE SE FORAM ANTES DO DESPERTAR DA JUSTIÇA. AMÉRICAS QUE CHORAM NAS SEPULTURAS MAIAS. ADORNOS PARA O CORPO, OSSOS E OLHOS. FESTA DOS FINADOS NAS NICARÁGUAS AUSENTES. FLORESTAS E BOCAS SELVAGENS AMEDRONTADAS PELOS FUZIS ESTRANGEIROS. A RESISTÊNCIA É O SUMO QUE UMEDECE A DESIGUALDADE. FANTASMAS INCAS FICARÃO NA CONTAGEM DA HISTÓRIA. PARA QUE ELA NÃO SEJA ESQUECIDA. AMÉRICAS SEMPRE SERÃO MÚMIAS VIVAS. INVÓLUCROS DE CARTILAGEM NOS SARCÓFAGOS DA GUERRA.

Gurgel de Oliveira - Acrílico sobre tela de André Dragão.
 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

IMAGENS

Caminhar pelas noites mágicas. Tardes imemoriais. Telefonemas anônimos e parques não descobertos. O cinema está presente em tudo. Os nossos mundos são imagens que navegam no tempo. Nossos olhos...Observadores e desbravadores. A Sétima Arte visita o Tropical e pousa os olhos nas descobertas de Cabral. Palmas para o inesquecível que nos faz pessoas do bem. As mulheres do Axé batem palmas e olham de longe. Sempre atentas.

Gurgel de Oliveira

Giada Colagrande, diretora italiana e Willew Dafoe. Magia de Diana Gurgel.

domingo, 6 de abril de 2014

INSÓLITO

Não importa se estão olhando de longe. A corrida vai começar e os cães da guarda serão os vencedores. Os planos que fizemos não tiveram êxito e as florestas estão cheias  de cores.  frutos  ressecam pelo caminho e cidades comemoram os sobreviventes . Os copos de vinagre adornam  os bancos da praça.  Esquilos correm e suportam castanhas nos ombros. Chegou a hora dos momentos felizes.  Estrelas parecem mais próximas e a noite se veste de festas. Fatalidades não tragam crenças. Velas e terços não habitam mais os conventos  . Acalmemos os choros das meninas cegas. As suas retinas velejam  e a febre nos joelhos incomoda. É essencial que saiamos agora. As horas estão passando e os relógios querem ir embora. A dor do amor é de uma crueldade que assusta. Não amemos mais. Cultivar imagens e amarrar os dedos do mundo com fitas e farpas  é a solução. O texto está acabando e a sensação de vazio não passa. Quero oferecer lírios e sabores  aos estranhos. Eles são merecedores de aromas. Corramos enquanto é tempo. As fraturas  não são tão rápidas e a garganta do mundo tem mucosas e sono.

Gurgel de Oliveira

Foto:  Site Populista 2013

quinta-feira, 27 de março de 2014

O CONFLITO DA PELE

Os vícios ainda dormem. Cidades e rios afundam na ilusão do medo. Ossos e carnes não habitam mais os frigoríficos. Crianças são recortes colados nas paredes e os relógios pararam no tempo. Ser feliz é uma penumbra. Unhas rasgam cortinas e levantam as saias do amanhecer. Abram os olhos com muito cuidado. Ameaças estão sobre a mesa e a nata do leite sumiu na madrugada. Correr em busca do nada é um esforço que causa tremores nos nervos. Que se calem as bocas das avenidas. Respirar é o essencial.

Gurgel de Oliveira

Foto do Site de Nizo Gomide. O nome do fotógrafo não foi encontrado.

domingo, 9 de março de 2014

CORRER RISCOS

É necessário que corramos riscos.  Escadas de madeira são frágeis e não suportam sofrimentos. As farmácias ficam próximas, mas as pomadas estão em falta. Pedaços de retalhos amarram ferimentos. O sangue se acomoda e o descanso é inevitável.  Frutas geladas no palito enganam  crianças e bichos. Nunca é tarde para recomeçar.  A noite desperta   o medo  e os  bonecos de madeira. Lamparinas estão acesas. Já é hora de ir para a cama  e se jogar nas cacimbas do sono.  A vida sem cicatrizes não tem o sabor dos jogos. A infância é perversa e os punhais estão afiados. Não cortemos os nossos corpos de uma só vez. Façamos aos poucos. Como os carrascos medievais. Já é quase manhã de domingo e teremos que ir à missa. Peles e bandagens fazem parte das  orações. Gritemos aos ventos que já é hora de parar. As feridas vão sarar agora!
Gurgel de Oliveira
 Fotos de domínio público.