sexta-feira, 25 de outubro de 2013

MANUSCRITOS

Rompimento do silêncio. Manhãs de chuva que não voltam mais. Alfinetes presos na garganta e pregos entre as unhas. O desconforto não vem com a falta da luz. A penúmbra sufoca quartos e saletas sem cortinas. Não é hora para reflexão. O corpo se desfaz em dores e a alma é cortada em pedaços. O tempo não passa. A insônia reveste camas e travesseiros. Bem distante dalí, bizontes e javalís desbravam as savanas e a África chora. Continentes são levados pelas águas e verdades são coladas nos edifícios. A lama umedece a rua. Bares e boates brilham no rosto da noite. Poetas e bailarinas se perdem no discurso do porteiro e a ribalta se rende ao branco.
Gurgel de Oliveira

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